Pandemia e isolamento social fazem idosos passarem mais tempo diante da televisão

 

Por Fred Moraes e Karine Campos


Foto: Fred Moraes

A crise sanitária provocada pelo Corona Vírus levou parte da população para dentro de casa, adotando o isolamento domiciliar. O grupo social mais afetado foi o dos idosos por serem mais vulneráveis a contraírem o vírus. Atividades como ir ao banco, a lotérica e até mesmo ao supermercado passaram a ser tarefas de filhos e netos.

Distante de parentes, amigos e do ‘mundo’ a televisão tornou-se a companheira dos mais experientes.

Seja no jornalismo, entretenimento ou novela lá estão eles de olhos bem abertos atentos a toda movimentação. Com isso, o tempo de exibição dos idosos frente à televisão cresceu, isso pode ser comprovado por meio de pesquisas realizadas no ano passado e em anos anteriores.

Conforme apresentou o instituto Kantar Ibope por meio do Inside Video, somente no ano passado o brasileiro passou mais de 7h 09 minutos diante da televisão. Em 2019, o número foi 39 minutos a menos.

O levantamento cita que o tempo médio diário de pessoas acima dos 60 anos na frente da televisão aumentou, passando de 2h32 (antes da pandemia), para 3 horas e 33 minutos.

A pesquisa ainda mostra que a televisão teve um alcance de 209 milhões de espectadores. Boa parte deles idosos. Mas engana-se quem acredita que tal ato sucede por conta da pandemia

Ainda em 2019, o instituto de pesquisa Alemão, GFK, divulgou uma pesquisa onde ressaltava que o público idoso é o mais assíduo na hora de assistir televisão. Segundo os dados, a terceira idade vê televisão sozinha, principalmente de manhã e durante madrugada.

Os números também apontavam que os programas favoritos tanto dos homens quanto das mulheres eram as novelas e o jornalismo.

Na casa da dona Sebastiana, de 76 anos, a televisão já tornou-se aliada fiel. Seja no café da manhã, no preparo do almoço ou na janta, a mesma é sua melhor amiga.

Eu acordo bem cedo, gosto de acompanhar o noticiário e saber o que acontece no Brasil… A televisão me acompanha até a hora que eu durmo. Ela sempre nos traz a sensação de companhia e proximidade.


Foto: Fred Moraes

Com os olhos na ponta da faca enquanto corta os legumes para o almoço, os ouvidos estão nos relatos do policialesco matinal. Sebastiana acompanha o ‘Cadeia-Neles’ fielmente e o mesmo acontece com o restante da programação da Record

TV.

Dona Vicência, de 73 anos, também aderiu aos meios de comunicação, principalmente a TV. Adquiriu recentemente um pacote de televisão a cabo, para ter maior opção de conteúdo.

“Sempre gostei muito de assistir filme, principalmente do meu ator Steven Seagal, mais não passava muita coisa que eu gostaria de ver, estou aprendendo a lidar com a nova tecnologia”.

Foto: Karine Campos

Porém, mesmo parecendo inofensiva uma rotina exaustiva frente à televisão pode ser prejudicial. É o que relata a Psicóloga, Gabi Arruda.

‘‘O uso frequente da tecnologia (televisão) passa a ser de forma errônea quando passa a afetar suas atividades cotidianas e físicas também, pois o corpo precisa se exercitar junto a mente’’.

A profissional orienta também, uma ‘filtragem de conteúdo’ realizada pelo espectador para não trazer-lhe danos.

‘‘ Acúmulos de informações possuem um impacto enorme neles (Idosos), gerando algum transtorno mental, como o estresse, a ansiedade e aumento dos índices de depressão.’’

Fato é que a televisão em seu uso regrado e saudável não faz nem um pouco mal, pelo contrário distrai nossa mente diante de tanto caos que o mundo atravessa.


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